6/16/2007 - Material reciclável
Gincana em Matinhos onde a Escola Municipal Caetana Paranhos, participou com seus alunos usando fantasias de lixo reciclável, feitas com caixas de leite, garrafas pet, pacotes de café, plasticos etc.
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6/15/2007 - O ESTÁGIO COMO ESPAÇO FORMATIVO DO PROFESSOR
O ESTÁGIO COMO ESPAÇO FORMATIVO DO PROFESSOR ROSEMIR OTILIA KALIL FADEL[1] ORIENTADOR: SIDNEY ROBERTO KEMPA Resumo O artigo analisa algumas reflexões acerca da formação prática de futuros professores, a partir da realização do estágio de ensino na escola de educação básica. O estágio tem se constituído em uma atividade que se efetiva mediante a inserção no espaço educacional e no contato com os professores que se dispõem a receber, acompanhar e orientar os futuros professores no processo de aprendizagem da docência, envolvendo assim, as duas instituições. Por isso, é preciso que ambas participem ativamente de sua elaboração e compartilhem as decisões que são tomadas continuamente durante a realização do estágio de ensino, visando a construção coletiva da proposta de estágio e a efetivação das atividades dela decorrentes na escola. Pensar na possibilidade de construção de parcerias universidade-escola implica, necessariamente, uma maior compreensão por parte dos profissionais, tanto da escola quanto da instituição formadora, acerca de seu papel de agentes formadores, da mesma forma que requer compromisso ético e competência no desenvolvimento dessa tarefa, para que seja possível estabelecer novos parâmetros para a produção de práticas comprometidas com uma formação qualitativamente melhor para os professores. Palavras-chave: Estágio curricular // Formação de professores // Parceria escola-universidade. A formação do pedagogo exige que o aluno associe os conhecimentos teóricos adquiridos a um estágio, no campo, onde ele integra teoria e prática, consolidando os conhecimentos, as habilidades e as atitudes indispensáveis à formação de sua competência profissional. O estágio em qualquer modalidade é atividade curricular de base eminentemente pedagógica São freqüentes os relatos de que a teoria difere da realidade, revelando uma percepção, por parte do aluno, de distanciamento do que se ensina para o que se pratica, sendo então, necessária uma nova leitura da realidade vivida através de uma formação prática de futuros professores, a partir da realização do estágio. ESTÁGIO SUPERVISIONADO: O estágio curricular, como procedimento didático-pedagógico, é atividade de competência da instituição de ensino a quem cabe a decisão sobre a matéria, e dele participam pessoas jurídicas de direito público e privado, oferecendo oportunidade e campos de estágio, outras formas de ajuda, e colaborando no processo educativo. E também é se ofertado como parceria empresarial ou com órgãos do poder público uma experiência acadêmica - profissional orientada para a competência técnica - científica e para a atuação no trabalho dentro do contexto de relações sociais diagnosticadas e conhecidas e caracteriza-se pela oportunidade de reflexão - teoria – prática. O estágio tem se constituído em uma atividade que se efetiva mediante a inserção no espaço educacional e no contato com os professores em exercício que se dispõe a receber, acompanhar e orientar os futuros professores no processo de aprendizagem da docência. Contudo, os futuros professores necessitam, freqüentemente, entrar em contato com a realidade educacional através do contato com esses profissionais, nas escolas campo de estágio, para que possam, sob a orientação destes, desempenhar as atividades inerentes à docência num processo de aprendizagem ainda durante sua preparação formal. Quando se discute as necessidades de reflexão e reestruturação do sistema que monitora e supervisiona os estágios, percebem-se claramente distorções nas atividades de estágio tais como: falta de comprometimento dos professores do curso com o estágio; a responsabilidade pelo estágio é exclusiva do professor de Didática e prática pedagógica quando muito freqüentemente falta integração entre a faculdade com a escola de 1º grau. Além disso, o estágio é visto como "pólo prático” do curso e como atividade terminal; também há dificuldade de garantir a relação teoria/prática; divisão do estágio em etapas fixas e estanques: observação, participação, regência, e normalmente surgem restrições à etapa de observação, ficando o aluno apenas como visitante onde o estágio fica restrito a atividades burocráticas, de preenchimento de fichas, correções de cadernos etc. A sociedade está exigindo dos professores conteúdo que levem a uma explicação atual do mundo e, assim sendo, o ensino dos conteúdos para esse professor também deve chegar ao atual. Além disso, para que possamos dar um salto qualitativo na formação de professores, é necessário que os saberes conceituais e metodológicos das áreas específicas sejam trabalhados de uma forma integrada, e isso significa a inclusão nesses cursos de atividades que levem seus alunos, futuros professores, gestores e coordenadores a conhecer os problemas que originaram a construção dos conhecimentos, e como estes conhecimentos chegaram a se articular em corpos coerentes, evitando assim visões que são incapazes de modificações e interferências, por aceitarmos o que já está construído sem refletirmos nessa construção. Trata-se, portanto, de conhecer a história de sua construção não só como suporte básico da cultura científica, mas, principalmente, como forma de associar os conhecimentos com os problemas que originaram sua construção, sem o que tais conhecimentos aparecem como construções arbitrárias. Pode-se, assim, conhecer quais foram as dificuldades, os obstáculos que tiveram de ser superados, o que constitui uma ajuda imprescindível para compreender as dificuldades dos estudantes. È interessante que na Universidade, se rompa com um ensino centrado apenas na memorização mais ou menos repetitiva de fatos e na assimilação mais ou menos compreensível de conceitos e sistemas conceituais. Somente o professor que tem uma sólida formação nos saberes conceituais e metodológicos de seu conteúdo específico é capaz de planejar atividades de ensino que integrem os três aspectos: o conceitual, o procedimental e o atitudinal Se a relação teoria/prática é importante na construção do conteúdo específico, essa mesma relação torna-se imprescindível no que se refere ao domínio dos saberes integradores. Agora a prática se dá na escola, nos estágios dos cursos de graduação, onde os professores vão procurar estabelecer um vínculo bastante forte entre o saber e o saber fazer. Este saber fazer, que deve ser uma das propostas de estágio supervisionado nas escolas fundamentais e médias, precisas ser pensado como um laboratório no qual os futuros professores vão testar suas hipóteses de ensino, nas quais a relação teoria/prática deve estar sempre presente. Todos os conceitos de “reflexão na ação” e “reflexão sobre a ação” (Schön, 1992; Zeichner, 1993) podem e devem ser estimulados durante os estágios. Outra linha de pesquisa que tem perpassado todas as áreas é a que investiga as discussões em sala de aula: dos alunos entre si e dos alunos com o professor, esta nova visão de ensino e aprendizagem, discutida atualmente em várias áreas de pesquisa dos conteúdos específicos, visa fazer que os alunos se apropriem de novas linguagens. Aprender um novo conteúdo seria, então, não só dominar um novo vocabulário, mas entrar em um novo mundo simbólico, apreciando sua importância para dar novo sentido às coisas que acontecem ao seu redor. Entretanto, para que ocorra uma mudança na linguagem dos alunos – de uma linguagem cotidiana para uma linguagem científica os professores precisam dar oportunidade aos estudantes de exporem suas idéias sobre os fenômenos estudados, num ambiente encorajador, para que adquiram segurança e envolvimento com as práticas científicas. Esse também não é um saber fazer de fácil execução. Muitas horas de estágios, de observação e de regência, muitas reflexões sobre esses estágios são necessárias, bem como boas discussões relacionando a teoria da construção dos conhecimentos específicos às práticas de ensino. O desenvolvimento dos Programas de Estágio nas universidades/faculdades é atualmente marcado por vários aspectos. Podemos citar inicialmente a questão da inserção no projeto acadêmico dos cursos. Nas ultimas três décadas, desde a introdução dos currículos mínimos para os cursos de graduação, os estágios foram incorporados como atividade complementar a ser introduzida a critério das IES, de forma autônoma. A partir da LDB de 1996, que substituiu os currículos mínimos por diretrizes curriculares para os cursos de graduação o, o estágio ganhou outra dimensão, acompanhando a lógica agora apresentada de ampliar a relação teoria-prática. ESTÁGIO PROFISSIONALIZANTE REMUNERADO: A Lei 9.394/96 dispõe: Art. 82. Os sistemas de ensino estabelecerão as normas para realização dos estágios dos alunos regularmente matriculados no ensino médio ou superior em sua jurisdição. Parágrafo único. O estágio realizado nas condições deste artigo não estabelece vínculo empregatício podendo o estagiário receber bolsa de estágio, estar segurado contra acidentes e ter a cobertura previdenciária prevista na legislação específica. A Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977, dispõe sobre os estágios de estudantes de estabelecimentos de ensino superior e de ensino profissionalizante de 2º Grau (ensino médio) e supletivo, e dá outras providências. CNE- Conselho Nacional de Educação. Na última década ocorreram importantes mudanças no panorama econômico. A produção industrial sofreu o impacto dos avanços tecnológicos, principalmente nas áreas de eletrônica e informática, o que culminou com a automação de grande parcela das atividades produtivas. Somando a isto, os processos de urbanização e a redefinição do papel do Estado, pode-se observar um processo de transformação na sociedade, modificando-se os espaços de trabalho e emprego. Já tem sido muito discutido em vários fóruns que trabalho existe, emprego não.[2] Antevendo os caminhos que estavam sendo trilhados pela economia mundial, a velocidade que estavam tomando os avanços do conhecimento, reconhecendo a importância de uma formação superior para os jovens brasileiros para fazer frente à evolução internacional, foram estabelecidas as condições para uma rápida ampliação do espaço universitário. Mas as características sociais da população não foram desprezadas nas análises, tanto que foram quase que de imediato, no início da década de 70, estabelecidos programas para permitir aos alunos o exercício remunerado de atividades complementares aos cursos. Foram instituídos os Programas de Monitoria, o Projeto Integração, para estágios práticos e o Programa “Bolsa de Trabalho”, cujas características comuns foram estar vinculadas ao conteúdo de formação do estudante e guardar uma carga horária determinada na lei e compatível com o fato de o beneficiário precisar estudar. Atos legais dispõem que o empregador pode "aceitar como estagiários, alunos regularmente matriculados e que venham freqüentando, efetivamente, cursos vinculados à estrutura do ensino público e particular, nos níveis superior, profissionalizante de 2º grau e supletivo". Os alunos devem comprovar estar freqüentando cursos de educação superior, de ensino médio, de educação profissional de nível médio ou superior ou escolas de educação especial. Tardiff (2002) fala em quatro fases ... a formação escolar inicial (que também terá impacto sobre a formação profissional), a formação universitária inicial, o ingresso na carreira (que pode dar-se antes ou depois da passagem pela Universidade) e a que se desenvolve ao longo da vida profissional. Trata-se, então, de um processo contínuo de produção, mobilização, comunicação e transmissão de saberes. Neste amplo ciclo de formação o autor destaca vários tipos de saberes correspondentes às quatro fases da formação profissional - que se articulam, formando um saber plural, porém único. Tardiff fala dos saberes da formação profissional ou pedagógicos (oriundos das ciências da educação), dos saberes disciplinares (definidos e selecionados pela Universidade); dos saberes curriculares (oriundos dos currículos desenvolvidos pelas instituições escolares em que atua); e dos saberes experienciais (aqueles desenvolvidos pelo professor no exercício da profissão e na prática construída). Consideram-se estágio curricular as atividades de aprendizagem social, profissional e cultural, proporcionadas ao estudante pela participação em situações reais de vida e trabalho de seu meio, sendo realizada na comunidade em geral ou junto a pessoas jurídicas de direito público ou privado, sob responsabilidade e coordenação da instituição de ensino. O estágio está regulamentado oferecendo autonomia e responsabilidade total para a faculdade, mas não está mais garantida nem a bolsa de estudos nem um limite máximo de carga horária que apóie os programas pedagógicos das instituições de ensino superior, como ocorria nas disposições legais do início da década de 70. Existe um regulamento para os cursos de graduação que define a responsabilidade das coordenações dos cursos sobre as atividades dos alunos, com critérios próprios de carga horária, programas, avaliação dos estágios e integralização curricular das experiências. Mas a prática de quem lida com o gerenciamento dos estágios é bastante distante do ideal. Pelo olhar do estudante, o estágio constitui uma atividade geradora de renda, que embora baixa, vai permitir sua manutenção na condição de estudante. Muitas vezes, ao buscar uma orientação, o estudante se refere ao “emprego” que conseguiu. É obvio que eles querem vincular o trabalho a ser realizado com os conteúdos dos cursos, mas esta não é, na maioria dos casos, a principal preocupação. Uma análise da situação econômica dos alunos matriculados explica, em parte, esta situação. Diferentemente do que se tem apregoado na mídia, o aluno da Universidade Pública não é elite socioeconômica. Eles são elite cultural, mas advindos, na sua imensa maioria, da classe trabalhadora que luta pela melhoria da qualidade de vida. Pelo olhar das empresas somos forçados a admitir que o estagiário ainda é visto como fonte de mão-de-obra barata, é de conhecimento geral, a vantagem econômica para uma empresa em admitir estagiários no lugar de empregados. Muitas vezes isto fica evidente pelo oferecimento de vagas a alunos dos primeiros semestres, o que demonstra que, para a função a ser exercida, bastam conhecimentos gerais do ensino médio, para o que poderiam contratar qualquer empregado. Outra evidência clara é a inflexibilidade dos horários e a carga horária proposta na maioria das oportunidades oferecidas. Neste ponto não temos tido o apoio dos agentes de integração, que tem voltado todas as suas ações para fornecer mão-de-obra qualificada para as empresas, inclusive oferecendo treinamentos complementares aos conhecimentos desenvolvidos nas Instituições de Ensino. Por parte da instituição de ensino, coibir os estágios inadequados se torna uma ação difícil e angustiante. Quando um coordenador não concorda em avalizar um termo de compromisso, devido ás incompatibilidades de carga horária ou de funções e atividades previstas para o trabalho a ser desenvolvido, tem que enfrentar as críticas das empresas ou dos agentes de integração sobre uma suposta ineficiência daquela Instituição em relação às outras que não criam “problemas” para as experiências de seus alunos. Os próprios estudantes, muitas vezes submetidos a situações de carência e dificuldades familiares também se voltam contra a Instituição, sem entender o propósito ético da decisão tomada. (Jandira Souza Thompson Motta; Universidade Federal Fluminense. Google Acadêmico acessado em 13/05/07-www.prograd.ufu.br). Além da questão sobre permissão do abuso da força de trabalho do estudante, tem-se que cuidar da retenção do estudante por tempo muito longo na instituição ou mesmo do abandono de curso que pode ocorrer. O prejuízo é para o estudante e também para a sociedade que mantém as Instituições Públicas. Hoje a legislação não só permite como incentiva a execução de vários mecanismos de interação entre as faculdades e as empresas. Mas para que esta interação se concretize como um espaço de formação, o meio empresarial deve incorporar o compromisso social de tratar o estudante como um trabalhador – aprendiz, sem dele exigir o mesmo desempenho e os mesmos compromissos do trabalhador – empregado. Tendo em vista essas discussões anteriores, queremos refletir sobre a experiência em Matinhos de Estágio remunerado profissional estabelecido pela Secretária Municipal de Educação e que recrutou alunos de graduação em pedagogia da FAFIPAR. No ano passado na cidade de Matinhos oportunizou-se pela primeira vez aos acadêmicos do nosso curso, o estágio profissionalizante (remunerado) o que causou bastante interesse dos acadêmicos, face às dificuldades de empregos na nossa região por conta da sazonalidade das atividades turísticas e sob influência do clima e da vocação natural do município. Observei uma total analogia em Selma Garrido Pimenta, no seu livro: O Estágio na Formação de Professores, que embora discuta mais especificamente a formação histórica dos professores no Brasil tendo em pauta exclusiva, as escolas de Magistério desde o Normal Regional, demonstra as mesmas mazelas curriculares relatadas e observadas no tratamento de Estagio profissionalizante neste município com as mesmas falhas, que se arrastam no tratamento histórico dos estágios em educação no nosso país, onde a legislação é de boa qualidade e na prática nada funciona como deveria. “É fácil compreender que o Estágio Supervisionado, talvez mais do que outros componentes curriculares, traz essa mutualidade, em que os que ensinam e os que aprendem são sujeitos de um processo, mais que de formação, de construção e de criação.” (OLIVEIRA e CUNHA. p. 2). Nesse caso, o futuro professor precisa tomar contato com as atividades que se desenvolvem para além da sala de aula, no contato com a direção e coordenação pedagógica, na comunicação com os pais, na interação com os alunos de uma maneira geral. Ou seja, o aluno estagiário precisa viver a escola em toda a sua amplitude, agora não mais como aluno, mas, sim, direcionando seu olhar como futuro Profissional para que possa compreender e situar-se nesse contexto educativo de forma a demonstrar competência profissional e compromisso ético para com a sua futura profissão. É preciso, também, que o processo formativo tratado dentro do estagio torne-se capaz de cumprir o papel de inseri-lo na carreira profissional e de gerar uma aprendizagem. A escola é um importante espaço onde os futuros professores podem se aproximar de seu objeto de trabalho que é o ensino. Igualmente, os professores que recebem esses estagiários têm uma tarefa específica que é contribuir com o processo formativo a que se submetem esses alunos quando de sua imersão na escola para conhecer o processo de ensino e de aprendizagem que aí ocorre. É preciso estabelecer regras claras para que os professores possam efetivamente dedicar parte de seu tempo de trabalho à orientação e acompanhamento das tarefas docentes dos futuros professores no espaço escolar sem que, com isso, sejam prejudicadas as horas de efetivo trabalho junto aos alunos da educação básica. (FRANÇA. Vol. 1, n° 2: abril 2006) Entretanto, transferir à escola maior responsabilidade na formação de professores sem que as relações entre as escolas e a universidade sejam de fato estabelecidas, sem dar atenção às questões que afetam diretamente a qualidade dessa formação como, por exemplo, a disponibilidade do professor em exercício para atender os futuros professores, a preparação desses profissionais para desempenhar mais uma tarefa, o modelo de “tutoria” a ser constituído, entre outros, configuram uma dificuldade a mais a ser enfrentada nesse processo formativo. Essa etapa, (estágio profissional, e ou supervisionado deve favorecer a compreensão da escola como um organismo em desenvolvimento (caracterizada por uma determinada cultura, clima organizacional, estrutura de funcionamento), levar à compreensão dos problemas de ensino como problemas curriculares (planificação, níveis de interpretação do currículo pelos professores, contato com materiais curriculares e com inovações), enfatizar a observação do ensino (articulação entre o ensino e o projeto curricular, fixando-se na análise do ensino em oposição à análise do professor), além de se constituir em um momento de socialização (aprender a se comportar como professores). Entretanto, em que consiste a atividade de orientação dos estágios de ensino? Os professores da escola básica se apóiam em uma vaga noção do que seja o estágio, tendo como referência a sua vivência como estagiário. Na maioria das vezes, entendem que o estágio requer a sua colaboração para com o aluno estagiário, abrindo as portas de sua sala de aula e reproduzindo situações que acredita serem válidas para a aprendizagem profissional, porque foi assim na sua prática. Normalmente, o professor em exercício se encarrega de “definir”, ele próprio, o que deve ou não ser feito, o como fazê-lo e, principalmente, determinar o rumo que essa prática deverá seguir. Essa situação parece caracterizar, por um lado, as concepções dos docentes que vêem o estágio como observação de modelos como tem sido até bem pouco tempo, quando se dispõem a desempenhar a tarefa de orientação sem, contudo, provocar interrupção ou transtornos em sua prática docente. Por outro lado, pode também estar sinalizando para a questão da disponibilidade (de tempo, de espaço, conhecimento disponível, entre outros) para inserir o futuro professor nas primeiras experiências com o ensino. Os professores que receberam os alunos estagiários não têm muita clareza sobre o que fazer com esses alunos. Talvez porque desconheçam tal responsabilidade, talvez porque não se dispõem a realizar tal tarefa, por se constituir em uma tarefa a mais na sua tão desvalorizada função docente. Isso porque, mais do que consentir que o futuro professor permaneça observando a aula e o trabalho do professor, é preciso demonstrar disposição para introduzir esse estagiário nas atividades que lhes são próprias. Significa aceitar e querer ensinar algo que já domina e que faz e refaz constantemente. Significa, também, abrir portas, mostrar caminhos, dialogar, superar os erros, compartilhar os acertos... Conforme diz Kulcsar, “... o Estágio não pode ser encarado como uma tarefa burocrática a ser cumprida formalmente... Deve, sim, assumir a sua função prática, revisada numa dimensão mais dinâmica, profissional, produtora, de troca de serviços e de possibilidades de abertura para mudanças”. (1994, p. 65) E essa tarefa não é tão simples quanto possa parecer. É preciso abrir mão de uma rotina estabelecida para construir novas práticas que incluam os novos aprendizes do ofício. Sem isso, observamos a “desilusão” do estagiário, com sua prática, e uma sensação de perda de oportunidades, além de um aprendizado falto de qualidade. Este estado de coisas foi o que acarretou a deserção de muitos e a repetição do modelo nacional no estágio que foi instituído aqui no município. As entidades responsáveis pela condução dos estágios, não organizam, não informam e nem caracterizam a função de cada um dentro do processo tornando-o vazio de sentido e de sua verdadeira vocação. CONSIDERAÇÔES: Os estudantes dos cursos universitários nacionais, atentendendo a legislação em vigor entram em contato com a realidade profissional através dos Estágios supervisionados e/ou profissionalizantes remunerados. Ambos são curriculares e colocam os estudantes de maneira prática, inserido no contexto prático da profissão, transformando a linguagem aprendida em uma linguagem científica e organizada, desvendando alguns véus entre o saber teórico e a prática profissional. Conforme vimos, como em toda a legislação brasileira, o estágio sofre das mesmas mazelas burocráticas e de interpretações errôneas. Porém a meu ver, ainda é, de uma maneira ou de outra uma ferramenta poderosa na formação profissional do estudante, sendo por isso indispensável. Em Matinhos a experiência de estágio também mostrou o quanto se precisa fazer em matéria de ajustes e diálogo, porém nenhum dos estagiários deixou de acrescentar algo a sua futura prática profissional. Incorporaram uma visão mais realista do cotidiano, ou alguma integração e a compreensão do sistema atual de educação e seu funcionamento. REFERÊNCIAS BRZEZINSKI, I. Pedagogia, pedagogos e formação de professores. Campinas: Papiros, 1996. CARVALHO, A. M. P. e VIANNA, D. A quem cabe a licenciatura. Ciência e Cultura, v.40, n.2, p.143-47, 1988. KULCSAR, Rosa. (1994). O Estágio Supervisionado como Atividade Integradora. In PICONEZ, Stela C. B. (org.). A Prática de Ensino e o Estágio Supervisionado. 2ª edição. Campinas, SP, Papirus. SCHÖN, D. Formar professores como profissional reflexivo, In: NÓVOA, A. (Coord.). Os Professores e a sua Formação. Portugal: Dom Quixote, 1992. P.77-91. M. Morosini, V. Sguissardi - A educação superior: em periódicos nacionais: 1998 - FCA/UFES. CARVALHO, Anna Maria Pessoa de. A influência das mudanças da legislação na formação dos professores: Às 300 horas de estágio supervisionado/Tese. THOMPSON, Jandira Souza. O estágio e as instituições de ensino superior – LEGISLAÇÃO - RESPONSABILIDADES Disponível em http://www.prograd.ufu.br//f. pg. acessada em 13/05/07. OLIVEIRA, Eloiza da Silva Gomes de. CUNHA, Vera Lúcia: RED. Revista de Educación a Distancia. Disponível em http://www.um.es/ead/red/14/ Pg. acessada em 19/05/07. TARDIFF, Maurice. (2002). Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis, Vozes. [1] Acadêmica do terceiro ano do curso de pedagogia da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Paranaguá Campus - Matinhos
[2] Palestra proferida na Audiência Pública “O Estágio e as Instituições de Ensino Superior” em 03/07/2002, promovida pelo Ministério Público do Trabalho, em Vitória – ES
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